A gente não quer só diversão. Claro que um verão à beira do Mediterrâneo desvia a conduta da pessoa, mas basta um domingo chuviscoso com museus de graça para que a gente (leia-se “eu”) corra em direção oposta à praia. Ou então: museu aberto à noite. Às vezes isso acontece por aqui, um sonho. Outro sonho: museus de graça, permanentemente. Há vários, como o CaixaForum e o espaço da Caja Madrid, com exposições “ótemas”. Todos bons motivos pra abandonar momentaneamente essa mania de só querer se divertir.
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7.7.07
Dia do Museu
Foi não sei que dia e rolou não sei quantas noites de graça nos museus. Corri pro MNAC. Estava lotado, mas consegui ver duas exposições, uma delas de desenhos increíbles do Goya.
Muita gente pra ver a fonte
Estátua, lua e estrela
Famílies del món
No espaço da Caja Madrid, na Plaza Catalunya, encontrei essa exposição fotográfica incrível. Famílias do mundo inteiro, fotografadas com todos os seus pertences fora e em frente a suas casas, mostrando seu habitat. São 30 famílias, de 30 países, e o Brasil está lá, representado por uma família paulista. Ainda que muitas fotografias sejam de famílias muy humildes, o Brasil é disparado o lugar fotografado mais feio (provavelmente uma favela). Dá pra ver as fotos aqui, com os dados de cada família, bem legal.
No espaço 2 da exposição, fotos diversas das mesmas famílias, mostrando o cotidiano delas. As de hábitos alimentares, por exemplo, estavam expostas em uma imensa geladeira. Desse espaço podia tirar fotos; do outro não (consegui só duas ilícitas).






No espaço 2 da exposição, fotos diversas das mesmas famílias, mostrando o cotidiano delas. As de hábitos alimentares, por exemplo, estavam expostas em uma imensa geladeira. Desse espaço podia tirar fotos; do outro não (consegui só duas ilícitas).
El rei de la casa
No Palau de la Virreina, que fica nas Ramblas, outra exposição interessantíssima, sobre um tema interessantíssimo: a infância. Com um recorrido histórico e cultural, de gregos e troianos a Alice no País das Maravilhas e Michael Jackson, a exposição mostra como o simbolismo da infância foi sendo construído ao longo dos tempos. E propõe uma reflexão sobre a infância na sociedade de hoje, já bem distorcida e não tão ingênua, em que os adultos é que estão ficando infantilizados. Muito bom. Mais aqui.


Lee Miller: Picasso en privado
Ciutat Vella, linha amarela do metro, estação Jaume I. Descendo a Carrer de la Princesa, pegando à direita na Montcada, temos ali, maravilha!, um museu cheio de Picasso (volta e meia eu estou lá, repensando a vida diante de uma das versões geniais d'As Meninas de Velásquez; tem duas salas inteiras só com essas telas). A exposição imperdível do momento é de Lee Miller, uma fotógrafa belíssima que passou a vida entre artistas e foi umas das melhores amigas de Picasso. Vidinha bem mais ou menos essa. A moça, que começou como modelo, foi uma das únicas mulheres correspondentes de guerra na Segunda Guerra, onde fazia matérias para a Vogue (!!!). Fotos impressionantes, tanto de Picasso como da guerra, estão lá. Mais aqui.

Ele e o marido da moça, o surrealista Roland Penrose
Ele, a moça e a esposa dele na época, a seriíssima Dora Maar

Lee Miller by Picasso
16.6.07
Dalí Jóias
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